Como preparar as equipas para a chegada da automação de processos?


A automação de processos tem um lado negro que paira sobre a cabeça de muitos profissionais e que as empresas não podem ignorar: a ameaça de substituição dos humanos.

Já aqui temos falado na improbabilidade de as máquinas tomarem por completo os lugares dos humanos nas empresas, mas uma coisa é o que os gestores sabem – e outra é o que os colaboradores receiam. Surge, por isso, uma missão difícil para os profissionais de Recursos Humanos: a preparação das equipas para a chegada da automação, a readaptação de talentos e a preservação da unidade corporativa.

Por que não ignorar as mudanças?

Encarar a chegada da automação e as mudanças que vêm com ela como uma coisa natural não é uma solução viável. Os colaboradores esperam suporte das empresas onde se inserem, esperam ser compreendidos e ajudados quando as máquinas ameaçarem tirar-lhes o emprego. Fazer de conta que não vê onde está o problema não o faz desaparecer.

Todos os medos e receios dos seus colaboradores devem ser abordados com seriedade. Dos Recursos Humanos eles esperam respostas e orientações, e a inação só vai fazê-los sentir que foram abandonados em favor de um sistema que, de tão integrado, precisa cada vez menos deles – minando, aos poucos, a cultura corporativa.

Por que não aceitar a inevitabilidade?

Porque, ainda que inevitável, a chegada da automação aos processos produtivos e de gestão pode ser preparada e antecipada de forma a minimizar o impacto. De um profissional de Recursos Humanos espera-se o cuidado de acompanhar a equipa na sua evolução, mantendo-a orientada na direção que o negócio segue. Abandonar as equipas “no meio do caminho” só vai piorar a visão que elas têm das novas tecnologias.

Como preparar as equipas para a chegada da automação?

Uma vez que ignorar e aceitar são duas hipóteses a descartar, sobra a que mais depende dos Recursos Humanos: a da preparação e adaptação.

Do departamento de Recursos Humanos deve sair o cuidado de zelar pelo futuro de todos os colaboradores. A ideia é que todos sintam que a empresa continua a querê-los e não os encara apenas como um número que desaparece para dar lugar a uma máquina-escrava.

Preparar as equipas para a chegada da automação é olhar com elas para o futuro e perceber onde vai ser o lugar de cada elemento. A realidade é que as máquinas não são ainda capazes de fazer tudo o que os humanos fazem, pelo que a mão-de-obra humana vai ser sempre necessária. Os colaboradores da empresa podem ser reaproveitados e orientados num sentido alternativo.

Resta saber como preparar os colaboradores para as mudanças da modernidade.

Primeiro, mostrar que humanos e máquinas não ocupam o mesmo espaço

É verdade que, com a evolução tecnológica, as máquinas passaram a ser capazes de cumprir muitas tarefas que, até aqui, estavam entregues a pessoas, mas é igualmente verdade que essa transformação nunca visou desempregar as pessoas. O objetivo primordial da automação nos processos de trabalho é precisamente o contrário: libertar os recursos humanos do trabalho mais monótono e repetitivo para que possam dedicar-se àquilo que melhor sabem fazer (e que nenhuma máquina reproduz): o instinto e o bom-senso.

É, por isso, importante que a equipa de Recursos Humanos torne clara a visão de que a tecnologia chega para apoiar quem trabalha, e não para substituir. Cada humano vai passar a ter um trabalho melhor e mais interessante, enquanto as máquinas ficam com os trabalhos de menor relevo e menos estimulantes.

De seguida, mostrar que nem todos somos ameaçados pela automação

É igualmente vantajoso para as empresas que os departamentos de Recursos Humanos sejam transparentes e esclarecedores quanto aos possíveis impactos que a chegada da automação vai ter nas diferentes áreas. É lógico que a automação vai ter mais impacto numas áreas do que nas outras – e o assumir desse cenário ajuda a reduzir os níveis de ansiedade dos colaboradores que se preocupam sem necessidade.

Sessões de esclarecimento com direito a perguntas (com respostas francas e frontais) podem evitar muitas conversas de corredor e alguns efeitos adversos típicos de equipas que se sentem inseguras.

Por fim, mostrar que humanos e máquinas podem trabalhar em equipa

A chegada das novas tecnologias é a chegada de ferramentas de apoio ao trabalho diário dos profissionais. Do ponto de vista global do negócio, as máquinas não conseguem, sozinhas, fazer tudo e ainda vão precisar das pessoas por muito tempo. Nesta lógica, os profissionais de Recursos Humanos podem ajudar as equipas a encontrarem o seu lugar ao lado das tecnologias, entendendo de que forma podem continuar a trazer um valor para o negócio – um valor que máquina nenhuma vai conseguir reproduzir.

Formar as equipas para a mudança

Mesmo que a automação de processos não ponha em causa todos os empregos dentro de uma entidade, a verdade é que alguns colaboradores podem mesmo ser substituídos, sobretudo se desempenharem funções de baixa complexidade que um dispositivo digital bem preparado consegue replicar.

Estes colaboradores não têm de ser dispensados. Podem, pelo contrário, ser valorizados pela importância que têm na configuração das tecnologias.

A verdade é que as máquinas fazem muitas coisas, mas só conseguem fazê-las quando alguém as ensina – e os programadores que configuram estas máquinas entendem-se com elas na perfeição, mas nem sempre percebem do trabalho que elas vão executar. É aqui que entram os colaboradores humanos: eles explicam aos programadores como fazer bem o seu trabalho e ajudam-nos a configurar a tecnologia da melhor forma possível para evitar erros.

O departamento de Recursos Humanos também pode, em alternativa, promover a reconversão técnica dos colaboradores através da formação, de forma a que aprendam a fazer o que as máquinas não fazem. Não só os valorizam como valorizam o capital humano da empresa, que se torna mais capaz e abrangente.

Incentivar a reconversão profissional no sentido do trabalho com as novas tecnologias também é uma solução para os colaboradores que mostrarem interesse – a empresa pode até aproveitá-los para juntar à equipa de implementação das tecnologias, mantendo-os “em casa”. Passam, assim, a ser eles os responsáveis pela manutenção dos equipamentos e pela garantia de que todos trabalham de forma eficiente.

De uma forma ou de outra, a automação coloca-se como um verdadeiro desafio para as equipas de Recursos Humanos, que passam a ter de gerir expectativas e receios em equipas cuja integridade fica ameaçada. Se a sua empresa está prestes a entrar em força na adoção tecnológica, não se esqueça do seu melhor ativo: as pessoas. Elas precisam de se sentir seguras para que a produção se mantenha como sempre foi e para que a automação não se converta num obstáculo à continuação do negócio.

Nuno Morais

Autor: Nuno Morais

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *